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Quem é a nova citada em inquérito contra a Braiscompany, que comprou Ferrari para Antonio Ais

Desde que o esquema de pirâmide financeira envolvendo o ‘Casal Braiscompany’, dono da empresa de criptoativos, Antônio Neto Ais e Fabrícia Campos, teve o desenrolar no âmbito da Justiça, 12 pessoas foram condenadas e a maioria presa após julgamentos em diversos desmembramentos do processo principal. Além disso, outras pessoas continuam a ser investigadas pela atuação nos golpes que geraram prejuízos de cerca de R$ 1,1 bilhão. 

No entanto, o nome de Karla Roberta Pereira Alves foi citado pela primeira vez em toda a investigação do caso Braiscompany pela Polícia Civil de São Paulo. Ela aparece no inquérito feito pela polícia paulista, que requereu junto à Justiça a prisão dela e também de Mizael Moreira Silva, que já foi alvo de operações da Polícia Federal em desdobramentos do caso, além de ter sido condenado em primeira instância a 19 anos de prisão. 

O Jornal da Paraíba separou as principais informações sobre quem é Karla Roberta Pereira Alves, a nova citada no inquérito policial, e os motivos que a levaram a ser alvo das investigações pela primeira vez. 

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Investigação aponta que ela foi laranja do esquema de pirâmide

De acordo com a Polícia Civil do estado de São Paulo, Karla Roberta atuava como “Homebroker”, ou seja, era uma das responsáveis por conectar os clientes da empresa ao sistema de pregão eletrônico. 

Também conforme o inquérito ao qual o blog Pleno Poder, do jornalista João Paulo Medeiros, teve acesso, a polícia acredita que Karla também tenha sido utilizada como “laranja” no esquema de pirâmide estabelecido pela Braiscompany. Ela teria comprado uma Ferrari, que seria para Antônio Neto Ais, após o casal dono da empresa ter viajado para Dubai, em uma das muitas viagens que ambos fizeram. 

No depoimento para a polícia, Karla afirmou que realmente fez junto ao Detran de São Paulo um documento de comunicação de venda, na qual ela era a titular, mas não achava que estaria cometendo alguma irregularidade. Segundo ela, depois que o casal voltou de Dubai, no Emirados Árabes, o carro foi retirado do nome dela.

Ela afirmou que a Ferrari pertencia a Antônio Neto e que atuou apenas para “agilizar o processo de venda”. Ainda segundo ela, a própria desfez o comunicado de venda por ordem do próprio Antônio Neto. Também foi afirmado que não cedeu dados bancários, ou fez transações para o dono da Braiscompany com recursos que não fossem oriundos do próprio trabalho.

Essa Ferrari, que é avaliada em R$ 1,7 milhão, foi citada em outro momento da investigação, desta vez por parte da Polícia Federal, que encontrou o veículo, uma mansão avaliada em R$ 12 milhões, no estado de São Paulo. 

Em uma foto publicada nas redes sociais de Antônio Neto, é possível ver ao fundo do casal, uma Ferrari branca do modelo California, ano 2012, que seria a comprada no nome de Karla, quando ela foi considerada “laranja” pela polícia. Veja a imagem abaixo

Imagem de rede social mostra Ferrari citada em investigação da polícia de São Paulo no caso Braiscompany – Foto: Redes Sociais

Processo transferido para a Paraíba

A Polícia Civil de São Paulo concluiu esse inquérito em fevereiro, pedindo a prisão de Karla, Mizael, além do próprio casal Antônio Neto e Fabrícia Campos. Os investigadores apontam crimes contra a economia popular, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. 

O Ministério Público paulista, após receber a denúncia da polícia local, emitiu um parecer no qual considerou que o caso fosse enviado para a Justiça Federal na Paraíba, onde já estão sendo processadas outras ações envolvendo o esquema da Braiscompany. 

O órgão acionou a Justiça, que por meio do juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 2ª Vara de Crimes Tributários e Organizações Criminosas de São Paulo, distribuiu o processo para a 4ª Vara Federal de Campina Grande. 

Casal Braiscompany segue na Argentina

Antonio Ais e Fabricia Farias foram encontrados na Argentina; vídeo da prisão do casal Braiscompany foi publicado pela ministra da Segurança da Argentina, Patrícia Bullrich. Foto: Patrícia Bullrich/Reprodução

Apesar da Polícia Civil de São Paulo ter pedido a prisão preventiva de Antônio Neto e Fabrícia Campos, ambos estão em solo Argentino, desde que foram encontrados no dia 29 de fevereiro. 

No caso de Antônio Neto, ele foi preso e continua sob custódia na Argentina, esperando a extradição. Fabrícia Campos chegou a ser presa na mesma noite em que o marido, mas foi liberada pela Justiça Argentina, que entendeu a necessidade dela ficar em liberdade condicional, por estar responsável de filhos pequenos, ter hipertensão e tomar medicação de uso controlado.

Dentre as cautelares impostas pela Justiça Argentina está a de não se ausentar do domicílio por período superior a 24 horas sem notificação ao Tribunal e nos primeiros cinco dias de cada mês perante, além de precisar entregar o passaporte.

Ambos foram encontrados perto do condomínio onde o casal estava escondido, na Argentina. De acordo com a Polícia Federal, Antônio Ais estava vivendo no local com a esposa Fabrícia Ais, e fazia uso, inclusive, de uma academia de ginástica.

O casal liderou o esquema de pirâmide financeira da Braiscompany, responsável por desviar mais de R$ 1 bilhão de mais de 20 mil clientes, e que também foram condenados pela Justiça a uma pena somada de 150 anos, por crimes contra o sistema financeiro.

O que dizem as defesas

O Jornal da Paraíba não conseguiu identificar a defesa de Karla Pereira.

Mizael é representado pelo advogado Pedro Ivo, que disse não representar a mulher. O advogado disse que o pedido “não goza de plausibilidade, porque como já há um processo tramitando na 4ª Vara Federal de Campina Grande, inclusive com um julgamento já realizado, se torna um ‘juízo prevento’, que quer dizer que só quem pode deliberar sobre uma eventual prisão ou qualquer outra medida cautelar é o juiz da 4ª Vara Federal”.

Sobre o casal, os advogados Nelson Wilians e Santiago Andre Schunck, representantes legais de Antônio Inácio da Silva Neto e sua esposa, esclareceram após ambos serem encontrados na Argentina, que esperam o curso do processo para demonstrar aspectos relacionados ao caso. “Enfatizamos nossa confiança no sistema judicial e acreditamos que, no curso do processo, todos os aspectos relacionados ao caso serão esclarecidos, com serenidade”, disseram em nota. 

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