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A imagem de Elis Regina dentro do caixão comoveu e também chocou o Brasil

19 de janeiro de 1982. Nesta sexta-feira, 19 de janeiro de 2024, mais um ano. Agora, já são 42. O dia em que Elis Regina morreu. Onde você estava? Eu estava numa banca de revistas, a caminho da redação de A União, quando ouvi a notícia pelo rádio.

Horas mais tarde, no caixão colocado em cima do palco do Teatro Bandeirantes, Elis vestia uma camisa que tinha a bandeira brasileira sobre seu peito. No lugar de Ordem e Progresso, havia seu nome. Elis Regina. Sim, Elis Regina, 36 anos, nossa maior cantora, estava morta.

Na capa da edição de 20 de janeiro de 1982, o dia em que São Paulo parou para enterrar Elis, a Folha botou na primeira página a foto da artista morta dentro do caixão – uma imagem que comoveu e também chocou o Brasil.

O título principal da capa da Folha era: O Brasil sem Elis Regina. Era muito forte e fiel ao que estava acontecendo. Nunca saiu da minha memória.

Volto sempre a Elis. Neste 19 de janeiro de 2024, fecho a coluna com uma seleção dos seus melhores discos. Escolhi 10 e fiz breves comentários.

SAMBA, EU CANTO ASSIM

Elis Regina tinha 20 anos quando venceu o festival de MPB com Arrastão. O disco, de 1965, marca sua estreia na Philips. Revela uma jovem, porém já grande cantora. Tem Reza e Menino das Laranjas.

2 NA BOSSA

Da televisão para o disco. Gravado ao vivo, em 1965, traz para o vinil o sucesso da dupla Elis Regina e Jair Rodrigues na tela da TV Record. Mal gravado, mas até hoje irresistível. Começa com um medley que se tornou antológico.

ELA

De 1971. Elis como seria nos anos 1970, diferente daquela da década de 1960. Mais moderna, aqui produzida por Nelson Motta. O grande sucesso foi o samba Madalena, de um jovem compositor chamado Ivan Lins.

ELIS

De 1972. Elis já produzida e arranjada pelo pianista César Camargo Mariano, seu segundo marido. Repertório impecável de grandes autores e (hoje) clássicos do nosso cancioneiro. Tem o primeiro registro de Elis para Águas de Março.

ELIS

De 1974. Elis e César Camargo Mariano em mais uma das suas parcerias. Um “casamento” musical que redirecionou a carreira dela e redefiniu a sonoridade do seu trabalho. A cantora brilha interpretando Milton Nascimento.

ELIS & TOM

De 1974. Gravado nos Estados Unidos, traz o encontro de Elis com Antônio Carlos Jobim. As sessões tensas de gravação se transformaram num disco extraordinário. O dueto de Tom e Elis em Águas de Março é soberbo.

FALSO BRILHANTE

De 1976. Sucesso no palco, sucesso no disco. Elis no auge da sua potência vocal e da sua força interpretativa. Tem grandes canções de João Bosco e Aldir Blanc e revela em dois números excepcionais o jovem Belchior.

TRANSVERSAL DO TEMPO

De 1978. Registro incompleto e tecnicamente precário de um grande show de Elis. Mesmo assim, indispensável. O Brasil convulsionado dos anos 1970, a cantora no auge do engajamento. Performances arrebatadoras.

ELIS, ESSA MULHER

De 1979. Elis de casa nova, a Warner. Baden, Bosco, Cartola, Joyce – tudo beira a perfeição nos seus registros. Tem um impressionante dueto com Cauby Peixoto. E o samba O Bêbado e a Equilibrista, hino da anistia.

SAUDADE DO BRASIL

De 1980. Penúltimo disco de Elis. Álbum duplo que registra em estúdio o roteiro do show homônimo. Depois que o tempo passou, pode ser ouvido como um inventário da maior cantora do Brasil. Tem Canção da América.

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